terça-feira, 4 de outubro de 2011

Salpicar.






"Houve decepção. Houveram lágrimas.
Gritos profundos e uma vontade imensa de deixar este mundo!
Mas, no auge do desespero, onde lágrimas salpicavam seus lábios, e o cabelo
se confundia com seu rosto em meio à ventanias de um lugar medonho... Ela viu.
Ela enxergou a luz. Ela estremeceu. Ela temeu. Teve um medo inenarrável de se aproximar.
Escuro.
Claro.
Tudo muito... rápido.
Mas então, mesmo seu cérebro, ou alguém que não pertencia mais à este mundo, estar gritando em sua mente "NÃO VÁ! NÃO SE APROXIME!"... Ela fez o contrário.
E deu seu primeiro passo. Passo duvidoso, sôfrego, ilusório, esperançoso... sedento.
E depois desse, outro, de repente, emergiu.
Se aproximou, cada vez mais, daquela luz. Não fazia ideia do que era. Sabia que era... quente.
Quente? Sim! Morna, que aquecia seu coração gélido, abusado pelas injustiças e "sem vergonhisses" do ser humano.
E então aconteceu.
Seus lábios se enrijeceram, e, um músculo ali, outra acolá...
Sorriso.
Um belo sorriso se abriu, com gosto salgado das lágrimas, mas ainda assim, ele não se afogou por isto...
Memórias significativas começaram a iluminar sua mente.
Amor.
Carinho.
Doçura.
E um pouco de dor.
Porém.
Vitória.

Quando a luz e ela se tornaram num só ser, o produto já não era isso ou aquilo; era energia, pura e bela!

Energia que a fez se erguer da cama.
E prosseguir na vida."

LIMA, Luciana.

"Por bens que restam."

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